Gestão horizontal não é, necessariamente, não ter chefe

Um dos termos da vez, gestão horizontal tem significados diferentes para diferentes pessoas e organizações.

Ser horizontal é cool, tá na moda e tem muita gente falando sobre o assunto. A realidade é que esse tipo de gestão hoje é mais um termo vago e existem poucas organizações efetivamente operando com horizontalidade, qualquer que seja a sua definição detalhada.

Ana Julia Ghirello foi convidada a ter o seu artigo em ContaAzul Notícias por trazer um ponto de vista interessante acerca de um assunto que interessa ao empreendedor. Exceto por essa nota, o texto foi publicado na íntegra.

Um consenso que todos parecem ter, felizmente, é de que neste tipo de gestão todos tem voz e as decisões são muito mais baseadas em processos decisórios conjuntos e compartilhados do que em um mandante com palavra final.

Seguimos essa linha com a abeLLha e Honeycomb: pra gente, ser horizontal é conseguir com que todos da organização/equipe não só se sintam donos do negócio como sejam agentes que efetivamente tomam e desafiam decisões por meio de processos de consenso (e não democráticos). Isso deve acontecer na prática, todos os dias, e ser algo que é mais vivido do que falado.

Só que fazer isso não é nada fácil. Requer, nessa ordem, alinhamento de propósitos e valores e um processo claro que gera contexto e clareza pra todo mundo. Só assim se tem autonomia alinhada e todos remam o barquinho na mesma direção. Não adianta cada um sair fazendo o que acha melhor se não existe um direcionamento (objetivos!) claro e acordado entre todos.

A medida que implementamos nossa metodologia, o Honeycomb, em mais e mais empresas, a gente observa que operar dessa maneira não tem nada a ver com ter chefe ou não. Você pode ter uma linha de liderança ou reportar pra alguém e ainda assim ter autonomia pra tomar decisões e desafiar decisões de outros. Tem muita empresa bacana buscando essa mudança cultural e caminhando pra essa direção sem necessariamente terem que brigar com o RH pra parar de existirem cargos, faixas salariais e matar o quem-reporta-pra-quem na parte burocrática.

Um processo de construção de contexto (objetivos, estratégias e papéis definidos pra cada um), se bem construído, pode deixar muito mais claro onde as pessoas querem chegar e as auxilia a buscarem seu desenvolvimento com o apoio da equipe, do líder (chefe) ou do RH.

É bom dizer que isso também não exclui as que desejam não ter nenhum tipo de hierarquia, ter salários abertos, etc.

O meu ponto aqui, é que muita gente pensa que pra ser uma organização horizontal vai precisar ter salários abertos, todo mundo ser sócio igualitário e que cada um vai simplesmente sair fazendo o que dá na telha. Pode ser, mas pode também não ser :)

Gosto da frase do Mario Kaphan, do Vagas: ser horizontal é todo mundo fazer o que quer mas todo mundo ter tudo a ver com isso.

Meu foco é compartilhar conhecimento prático e aplicável para quem tem ou deseja ter uma empresa ou startup. Fundadora da abeLLha e VP na HBO Max.

Meu foco é compartilhar conhecimento prático e aplicável para quem tem ou deseja ter uma empresa ou startup. Fundadora da abeLLha e VP na HBO Max.