Uma nova fase para a abeLLha

Como mudamos nosso posicionamento nos últimos 7 meses e como me sinto com tanta mudança

Na correria do dia-a-dia às vezes esqueço que a abeLLha tem somente 7 meses de vida.

Abrimos nossas portas oficialmente em janeiro de 2016, como um coworking e incubadora. A ideia era oferecer mentoria junto com um espaço pra trabalhar. Pensávamos em ajudar projetos que deixassem o mundo mais horizontal, colaborativo e transparente — um conceito levemente vago na hora de selecionar efetivamente cada projeto. Para ser bem sincera, havia um impulso muito forte de gerar impacto social (por mais amplo que isso parecesse na época) e ajudar startups, mas nenhum de nós tinha feito isso antes.

Foi rápido perceber que não queríamos gastar foco e energia com a construção de um coworking. Nos sentíamos desconfortáveis tentando mostrar pras pessoas de que nosso espaço era lindo, nossa internet era rápida, que existia uma energia maravilhosa e muita gente bacana, possibilitando troca e aprendizado. Financeiramente, também, era uma estratégia que não escalava pois, em um modelo como esse — de prospectar indivíduos e não grupos — tem sempre gente “indo e vindo”. Nessa lógica, gasta-se a mesma energia que para operar, provavelmente, um espaço para cerca de 100 pessoas (nossa sede no Rio abriga até 25 pessoas).

Sacamos logo que o que gostávamos de fazer, e fazemos muito bem, era direcionar projetos digitais com mentoria e utilização da nossa rede. Era um movimento orgânico ajudar a amarrar uma idéia e planejar de forma simples e eficaz como tirá-la do papel para ganhar tração no mercado. Decidimos então focar na incubadora, ajudando projetos de gente do bem, com produtos e ideias que visam o coletivo.

Nosso programa de incubação dura 1 ano e não levamos porcentagem das empresas. A nossa primeira turma de incubados — a de 2016 — foi composta por projetos que bateram na nossa porta e que nos identificamos. Quanto mais trabalhávamos com eles, mais solidificávamos nossa metodologia e aprendíamos, também, como iríamos criar um novo processo de captação e desenvolvimento para a turma de 2017.

Paralelamente, percebemos que tínhamos de nos alinhar para direcionar os esforços e para ter uma estratégia sólida. Foi assim que surgiu o Honeycomb — nossa metodologia para empresas que desejam operar com simplicidade, de forma horizontal, colaborativa e transparente. Foi tentando organizar a própria equipe da abeLLha que encontramos uma oportunidade de um novo produto, que foi muito bem recebido pelo mercado.

Para pagar as contas, criamos pacotes onde empresas e startups podem optar por receber o mesmo processo de mentoria de quem está incubado (o nosso pacote abeLLhudo!) e eu parti para a guerra das consultorias. Comecei a ajudar empresas com nossa metodologia (o Honeycomb) e com estratégia e operações em geral.

A incubadora ia bem, a gente pagava as contas — muito devido às consultorias (você pode ver isso na nossa planilha financeira que é pública) — mas nos sentíamos como hamsters, fazendo a roda girar sem possibilidade de alterar o movimento. Aquilo ali não era escalável.

Parô!

Um belo dia, sentindo um aperto no peito, me perguntei: peraí, qual a razão principal da abeLLha existir? Qual foi o motivo pelo qual saí do Bom Negócio/OLX? Se eu tivesse muitos milhões no caixa, no que estaria focando?

A abeLLha nasceu parar gerar impacto social por meio do empreendedorismo social e colaborativo. Isso quer dizer que queremos ajudar pessoas, empresas e projetos que gerem mudança em escala na sociedade. Encontrar quem enxerga o problema e conecta com uma solução de negócio. Encontrar ideias, pessoas e projetos que visem impactar gente que precisa, que não tem acesso, que nasce com a ideia de que “isso aqui não é pra mim” ou isso “é coisa de gente rica”. Encontrar esses caras mesmo (que acham que empreendedorismo é pra homem branco e rico), trazer eles para dentro da nossa casa, capacitar, fazer junto e aprender.

Ah, meu amigo, se viemos aqui pra fazer isso, é isso que vamos fazer!

Com a mesma rapidez com que a abeLLha saiu do papel pra um casa em Santa Teresa no RJ e, posteriormente se expandiu para São Paulo, paramos, recalculamos e voltamos pra nossa essência: ser uma incubadora de projetos de impacto social que gerem melhorias em escala para as classes C, D e E nos pilares de educação, aumento de renda, inclusão de minorias, transparência de informação, saúde e saneamento básico.

A abeLLha voltou a ser a abeLLha, aos moldes do nosso plano inicial que, na correria do dia, tinha se desencontrado de sua essência.

Nosso processo de seleção para a turma de incubação de 2017 está aberto. Temos, agora, uma metodologia infinitamente mais sólida e sabemos o que buscamos. Por princípio, não levamos porcentagem dos projetos e os participantes contribuem de acordo com a sua realidade financeira.

Estamos desenhando, também, um projeto de inclusão social, onde traremos jovens com famílias de classes C, D e E pra capacitá-los por meio de experimentação e muito trabalho conjunto. Agora, estamos em busca de patrocínio para concretizarmos tudo isso. Quem quiser ainda pode contratar a mentoria, que também nos ajuda a manter esse sonho vivo (o meu obrigada aos meninos do SmartBeach app e as meninas da Coorte, que são atuantes nesse processo).

Às vezes eu acho que não vai dar… mas é só olhar pra dentro que me reencontro, me situo, e canalizo meu foco para viabilizar estratégias para que a abeLLha siga firme e forte. Ajuda também, é claro, olhar para os lados e ver que não sonho sozinha.

Tenho tudo tudo. Sou uma pequena parte de um time composto pelas 7 pessoas mais incríveis que já conheci, de uma rede forte de parceiros abeLLhudos e de uma família que é um alicerce e que revisa meus textos (eu não escrevo tão bem assim!), com direito a um gato vaquinha e um senhorzinho Sebastião.

Meu foco é compartilhar conhecimento prático e aplicável para quem tem ou deseja ter uma empresa ou startup. Fundadora da abeLLha e VP na HBO Max.

Meu foco é compartilhar conhecimento prático e aplicável para quem tem ou deseja ter uma empresa ou startup. Fundadora da abeLLha e VP na HBO Max.